Curiosidades

Atendimento Online

A História do Vidro

O Vidro

O Vidro é uma substância, homogênea e amorfa, obtida através do resfriamento de uma massa liquida à base de sílica em fusão. Em sua forma pura, o vidro é um óxido metálico super esfriado transparente, de elevada dureza, essencialmente inerte e biologicamente inativo, que pode ser fabricado com superfícies muito lisas e impermeáveis. Estas propriedades desejáveis conduzem a um grande número de aplicações. No entanto, o vidro geralmente é frágil, quebra-se com facilidade.

 O vidro distingue-se de outros materiais por várias características: transparência, dureza, não é poroso nem absorvente, é ótimo isolante, possui baixo índice de dilatação conectividade térmica, suporta pressões de 5.800 a 10.800 kg por cm2.

a)     A utilização do vidro enquadra-se em quatro grandes campos:

·         Vidros ocos: para garrafas, frascos, etc

·         Vidros planos: Janelas, portas, divisões, automotivos.

·         Vidros finos: Lâmpadas, aparelhos eletrônicos, tubos de televisões.

·         Vidros curvos: usado sobretudo na Industria automobilística e de construção civil.

b)    No Brasil o mercado consumidor de vidros pode ser assim esquematizado:

·         60% na construção civil;

·         39% na indústria automotiva;

·         1% na indústria do mobiliário

As Origens

A descoberta do vidro tem sido objetivo de controvérsias, pois os historiadores não dispõem dedados precisos sobre a sua origem. No entanto, após a descoberta de objetos de vidro nas necrópoles egípcias, pode-se concluir que o vidro já era conhecido pelo menos 4.000 A/C.

Tebas parece ter sido o verdadeiro berço da indústria vidreira egípcia. Segundo alguns historiadores, um acaso ocorrido na cozedura da louça de barro, que já se fabricava na época, teria dado origem ao vidro.

Porem a descoberta de objetos de vidro em sepulturas antigas contradiz esta versão. Assim, pode-se supor que a indústria vidreira era conhecida antes mesmo que o vidro fosse fabricado em Tebas.

De qualquer modo, está confirmado que foi no tempo de Tibério que esta atividade se estabeleceu em Roma, alcançando grande desenvolvimento e perfeição, suprindo desde logo a indústria egípcia.

Alguns autores apontam os fenícios como sendo os precursores da indústria do vidro. Na realidade os fenícios são os responsáveis pela sua comercialização com outros povos.

Também é certo que, através de suas relações com o Egito, os romanos aperfeiçoaram essa arte e se tornaram exímios nela, chegando a dominar os mais adiantados processos de lapidação, pintura, coloração, gravura e mesmo moldagem de vidro soprado.

Os romanos levaram esses processos para a península Ibérica e para a Gália, onde permaneceram por muito tempo. Mas a invasão dos bárbaros pôs fim a essa atividade e o vidro foi esquecido no Ocidente.

Com a mudança da sede do Império Romano para o ocidente, Constantino Magno levou consigo artesões hábeis nessa arte, impedindo assim que a indústria de vidro se acabasse.

A partir daí, o Oriente passou a ter o monopólio desse comercio, principalmente por causa da proteção que Teodósio II dispensou aos fabricantes, isentando-os de impostos e dando-lhes outros benefícios sociais e comerciais.

Idade Média e Renascença

O Baixo império conservou esse monopólio até o século XIII da era cristã, quando então os venezianos começaram a introduzir artistas gregos em suas oficinas. Isso ocasionou uma grande prosperidade nessa indústria, cuja primazia sobre a de outras nações do mundo durou até o século XVII.

A indústria protegeu bastante os vidreiros. Essa proteção se transformou em despotismo, quando o conselho dos dez proibiu terminalmente a saída de operários para a estrangeiro, tomando a seu cargo em 1.490, as instalações de Murano, pequena Ilha próxima de Veneza, para onde tinham sido transferidas, em 1289, todas as oficinas e fábricas, visando ter maior vigilância sobre os trabalhadores.

Mas, apesar do rigoroso controle, alguns operários conseguiram emigrar para a Alemanha. Por essa época, eram famosos os espelhos fabricados em Veneza, fama esta que chegou até os nossos dias. A Europa toda estava sob o domínio veneziano e não tinha forças para romper com ele. Até que a Alemanha começou a promover a imigração de artistas Venezianos, que foram para lá em número cada vez maior.

Muitos pagaram com a vida essa "rebeldia", porque a república de Veneza baixou decreto dizendo que o operário que se obstinasse em ficar no estrangeiro poderia ser morto por um emissário enviado pelo conselho dos dez. Apesar de alguns mortos e do pavor espalhado entre os operários, a Alemanha conseguiu consolidar sua indústria vidreira, através de artistas que transformaram e aperfeiçoaram a fabricação e o estilo de obras.

Ao contrário do vidro veneziano, que se caracterizava por leves filigranas, o alemão utilizava esmaltes e reproduzia desenhos célebres.

O vidro esmaltado teve sua época de grandeza. Mas, depois de instalada a industria na Boêmia, iniciou-se a fabricação do vidro cristal gravado, que diziam ser invenção de Gaspar Lehman, a quem o imperador Rodolfo II concedeu o título de gravador da corte em 1612.

Século XVIII

A França já fabricava o vidro desde a época dos romanos. Porém, só no final do século XVIII, e especialmente com as iniciativas de Colbert, foi que a indústria de fato prosperou. Mais tarde ela alcançaria um grau de perfeição notável.

Da França, a industria vidreira passou para a Inglaterra durante o reinado de Isabel. No século XVIII a industria tinha importante valor neste pais, sobretudo depois que se iniciou a fabricação do cristal branco, que revolucionou o comércio vidreiro, tornado acessível o que até então só era conhecido e usado pelos ricos.

A partir dessa época a industria vidreira espalhou-se pelo mundo inteiro. Tanto a Bélgica como mais tarde o Novo Mundo, inundaram o mercado com objetos de vidro incontestável superioridade artística e a preços relativamente baixos.

Tempos Modernos

Com a Revolução industrial, veio a mecanização dos processos e a aparição da grande indústria moderna do Vidro. E mais recentemente, durante os anos 50, assentaram-se as bases da aplicação do método científico à sua produção. Novos produtos apareceram com larga utilização em vidros cerâmicos, vidros com superfícies tratadas, Fibras óticas, fibras para reforço de materiais plásticos e vidros de segurança.

Com o advento da indústria automobilística apareceu a necessidade de vidros mais seguros, necessidade logo sentida em outras áreas como construção civil, eletrodomésticos etc. , ocasionado um grande desenvolvimento dos vidros de segurança.

Um projeto Moderno inclui vidro de segurança

O vidro comum é usado em construção há quase 2.000 anos. No entanto ele vem sendo substituído gradualmente em muitas aplicações pelos vidros de segurança, de custo mais elevado.

Afinal, o que há de errado com o vidro comum? O vidro comum é um material frágil, que quando se quebra, o faz em pedaços grandes e muito cortantes, o que pode causar acidentes sérios e até mesmo fatais. Quanto maior a espessura do vidro, maiores os impactos que pode suportar, porém mesmo o vidro comum mais espesso quebra, de forma igualmente insegura.

O vidro de segurança conserva qualidades do vidro comum ( transparência, durabilidade, boa resistência química, etc.) e é menos sujeito a quebras. Os vidros temperados apresentam resistência mecânica cinco vezes maiores que o vidro comum de mesma espessura, e quando quebrados, apresentam fragmentos pequenos, não pontiagudos e sem arestas cortantes.

Em caso de quebra do vidro laminado, os fragmentos ficam presos ao butiral, minimizados o risco de lacerações. Mesmo após quebrado, o PVB resiste ao atravessamento podendo ser distendido mais de cinco vezes de sua medida inicial, sem se romper.

A "Bristsh Standards Institution" (BSI) do Reino Unido, estudou as áreas de maior risco de acidentes em vidro, e por intermédio do "Code of Practive for Glazing for Bilding" Bs 6262, enumera estas áreas:

  1. Portas e laterais que possam ser confundidas com portas;
  2. Envidraçamento a 80cn ou menos do assoalho;
  3. Sacadas (guarda - corpos);
  4. Envidraçamento em banheiros, piscinas, etc.;
  5. Áreas de especial risco, como por exemplo play-grounds, clarabóias, etc.
  6. De acordo com a Bs 6262, todas as cinco áreas acima citadas devem ser envidraçadas com vidros de segurança. Lamentavelmente isto nem sempre é observado, mesmo na Inglaterra. Não há dúvida, porém que tal norma deveria ser seguida inclusive no Brasil, como medida preventiva de acidentes.

Vidro Laminado

O laminado é um vidro de segurança composto de duas ou mais lâminas de vidro fortemente interligadas, sob calor e pressão, por uma ou mais camadas de Polivinil Butiral muito resistente e flexível, formando uma estrutura capaz de suportar os mais violentos impactos. Mesmo que se rompa, garante a inviolabilidade do vão.

O tipo mais usado para arquitetura, em paredes divisórias, portas, janelas, vitrines, visores, vitrines, clarabóias, entrada de luz, etc., é o laminado constituído de duas lâminas de vidro e uma camada de Polivinil Butiral.

O número de lâminas de vidro de Polivinil Butiral pode ser especificado, o que confere ao laminado versatilidade para as mais diversas situações, conforme as exigências de segurança e isolamento térmico.

O tipo de alta resistência contra impacto e penetrações pode ter 4 ou mais laminas de vidro e 3 ou mais camadas de Polivinil Butiral.

A espessura do laminado múltiplo pode atingir até 65mm, de acordo a necessidade. O laminado múltiplo é indicado nos casos de severas exigências de segurança, tais como pára-brisas de carro, janelas de carros blindados, visores de cabina de segurança, pára-brisas de locomotivas e aeronaves, visores para navios, vitrines e guiches especiais, piscinas, instalações hidráulicas, aeroportos, sacadas, coberturas. Outros casos podem ser estudados de acordo com o projeto.

A versatilidade do laminado permite diversas composições dos seus elementos, visando atender às necessidades de isolamento acústico. Ele atenua ruídos externos e absorve a energia sonora acima de 2/3 a mais que o vidro monolítico da mesma espessura.

A capacidade de absorção dos raios infravermelhos dos laminados depende da cor da película de Polivinil Butiral e da cor e espessura das lâminas de vidro que o compõem.

Em suas várias tonalidades, o laminado oferece as melhores condições de controle da energia solar, com índice de absorção de 10 a 70%, conforme o caso. Além das cores normais,o laminado pode ser composto com vidros refletivos, o que diminui ainda mais a transmissão de calor para o ambiente interno.

O laminado é particularmente indicado para os locais submetidos a maior incidência de raios solares, tornando os ambientes internos mais agradáveis. Graças à camada especialmente tingida de Polivinil Butiral, o laminado reduz os reflexos de luz, além de excluir, por sua natureza, os raios ultravioletas em até 92%.

Deste modo, o laminado diminui perdas provocadas pela coloração, sendo recomendado para galerias de arte, e em muitos outros casos em que se queria evitar os efeitos prejudiciais dos raios ultravioletas.

Vidro Temperado

Os vidros temperados são fabricados a partir do vidro comum, por isso possuem todas as suas características: transparência, coloração, paralelismo nas faces, etc.

O processo térmico de temperatura melhora consideravelmente as propriedades do produto, conferindo ao vidro temperado uma resistência muito maior que a do vidro comum.

A finalidade da têmpera é estabelecer tensões elevadas de compressão nas zonas superficiais do vidro, e correspondentes altas tensões de tração no centro do mesmo.

Processo de Têmpera

O vidro é cortado na forma e tamanhos desejados. Em seguida vem a lapidação depois os recortes e furos necessários. Feitas estas operações a peça é submetida ao controle de quantidade inicial, sendo então levada ao processo de têmpera. O vidro é colocado no forno, submetido a uma temperatura de aproximadamente 600C até atingir seu ponto ideal. Neste momento, recebe um resfriamento brusco, através de um soprante, o que vai gerar o estado de tensão citado.

Propriedades

Experiências levadas a efeito com uma chapa de temperado liso de 6mm de espessura, demonstram que suporta o impacto de uma esfera de aço de 1 kg deixada cair livremente da altura de 2,00m; Em idênticas condições um vidro comum de vidraçaria (recozido) quebrou-se numa altura de 0,30cm.

Segurança 

Atenção criada através do processo de têmpera faz com que numa eventual quebra provocada por um esforço anormal ele rompe-se totalmente resultando pequenas partículas de aspectos cúbicos com arestas menos susceptíveis de provocar ferimentos. Isto aliado às propriedades já enumeradas permite que se faça emprego em grandes envidraçamento pois é possível ser aplicado através de peças metálicas próprias, eliminando completamente as requadrações dos tradicionais caixilhos.

Vidro Monolítico

O vidro Monolítico é o vidro refletivo para controle solar produzido por um processo de metalização on-line, onde a deposição da camada refletiva ocorre durante a fabricação do vidro float, por deposição química de gás, o que garante durabilidade e homogeneidade da camada refletiva.

A deposição da camada metalizada ocorre sobre o substrato incolor ou colorido, o que confere ao Monolítico as seguintes cores por reflexão: prata, cinza, bronze e dourado. Quando laminado, o Eclipse proporciona inúmeras opções de cor.

Vidro no Brasil

A história da indústria do vidro no Brasil iniciou-se com as invasões holandesas no período entre 1624 e 1635, em Olinda e Recife (PE), onde a primeira oficina de vidro foi montada por quatro artesões que acompanhavam o príncipe Maurício de Nassau. A oficina fabricava vidros para janelas, copos e frascos. Com a saída dos holandeses, a fábrica fechou.

O vidro voltou a entrar no mapa econômico do país a partir de 1810, quando, em 12 de janeiro daquele ano, o português Francisco Ignácio da Siqueira Nobre recebeu carta régia autorizando a instalação de uma indústria de vidro no Brasil. A fábrica instalada na Bahia produzia vidros lisos, de cristal branco, frascos, garrafões e garrafas. Ela entrou em operação em 1812. Em 1825, fechou em função das grandes dificuldades financeiras.

Em 1839, um italiano, de nome Folco, funda no Rio de Janeiro a fábrica Nacional de Vidros São Roque, com 43 operários italianos e brasileiros, com fornos à candinhos e processo inteiramente manual. Sofre a concorrência das importações de produtos da Europa e sobras de consumo que são vendidas a qualquer preço. Já em 1861, a indústria vidreira brasileira apresenta os seus produtos na exposição nacional na Escola Central, no largo São Francisco, no Rio de Janeiro.

Em 1878, Francisco Antônio Esberard funda a fábrica de Vidros e Cristais do Brasil em São Cristóvão (RJ). A fábrica trabalhava com quatro grandes fornos e três menores, e com máquinas a vapor e elétrica. Fabricava vidros para lampiões, janelas, copos e artigos de mesa e importava suas máquinas da Europa para fabricar garrafas e frascos. O seu cristal era comparado ao da tradicional Bacarat. Empregava 600 pessoas entre operários e artistas do vidro. A fábrica de Vidro Esberard esteve ativa até 1940. Outra fábrica de destacada presença foi a Fratelli Vita, da Bahia, fundada em 1902, que produziu garrafas para sodas, refrigerantes, e cristais de qualidade.

Até o século XX, a produção de vidro era essencialmente artesanal, utilizando os processos de sopro e de prensagem, sendo as peças produzidas uma a uma. Foi a partir do início do século XX que a indústria do vidro se desenvolveu com a introdução de fornos contínuos a recuperação de calor e equipados com máquinas semi ou totalmente automáticas para produções em massa.

Em 1982, a indústria francesa Saint-Gobain e a inglesa Pilkington uniram suas forças para construir a primeira fábrica de vidro float do Brasil, a Cebrace, na região do Vale do Paraíba, no estado de São Paulo.

A primeira linha foi construída em Jacareí(SP) em 1982, a segunda em Caçapava(SP) em 1989, e a terceira também em Jacareí, em 1996. Em 2004, a Cebrace inaugura sua quarta linha em Barra Velha (SC).Em 2012, o C5 entra em atividade em Jacareí com a capacidade produtiva de 920 t/dia. Juntas, as cinco unidades produzem 3.600 t/dia.

Em 2013, a Cebrace inaugura a primeira linha de espelhos da América Latina capaz de produzir em jumbo e o investimento no maior coater dos grupos NSG/Pilkington e Saint-Gobain agora no Brasil, responsável pela produção de vidros de proteção solar e seletivos.

Download WordPress Themes
Download WordPress Themes
Custom Joomla Extensions